Empreendedorismo feminino ganha espaço no mundo da tecnologia

Evento Digigirlz, iniciativa promovida pela Microsoft, tem como objetivo estimular o lado empreendedor de garotas de 13 a 17 anos

As mulheres não estão para brincadeira no mundo da tecnologia. Paula Bellizia, grande nome do mercado, é General Manager da Microsoft Brasil desde julho de 2015. A Campus Party Brasil, um dos maiores eventos do segmento, teve, este ano, 3.200 mulheres, 40% do total de participantes, um aumento gigantesco se comparado ao ano de 2008, em que apenas 100 mulheres (3% do total) estiveram presentes, segundo dados divulgados pelo Estado de São Paulo.

Claramente trata-se de um aumento da participação feminina que deve ser comemorado, porém, ainda há um longo caminho que precisa ser percorrido. No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, apenas 20% dos profissionais que atuam no mercado de tecnologia da informação são mulheres. Essa diferença não é exclusividade tupiniquim: um censo realizado pelo governo americano em 2014 mostra que elas ocupam 25% das vagas do setor e ganham 10 mil dólares a menos que eles ocupando os mesmos cargos.

Assim como o destaque da General Manager da Microsoft Brasil e o aumento da participação feminina na Campus Party, existem motivos para acreditar. Manoela Meroti, de nove anos, começou a empreender aos seis anos, vendendo pulseiras e quadros no salão de beleza de sua mãe para comprar uma boneca. Aos oito, venceu um Hackathon criando um brinquedo com palitos de sorvete, o Caça-Herói. Hoje, tem um canal no Youtube em que mostra o que gosta de fazer na cozinha e lugares que gosta de ir. Lembra da Campus Party, que falamos acima? Manoela, apesar da pouca idade, já deu palestra em uma das edições de São Paulo e de Brasília, além de ter sido convidada para o evento de Belo Horizonte.

“No começo fiquei muito ansiosa porque era minha primeira palestra e nunca tinha palestrado, mas eu consegui falar e disseram que foi muito engraçada minha palestra. Pretendo continuar nesse caminho, acho que a tecnologia me ajuda em várias coisas, como conhecer pessoas diferentes, fazer pesquisas e saber de outros assuntos”, conta a palestrante mirim.

Os Pais da Manoela, Evandro e Rosemeire, enxergam a filha utilizando tecnologia como ferramenta, voltada para empreendedorismo e engajamento, mas sabem que a menina tem um forte papel de influenciar outras meninas. “Ela consegue se comunicar bem, tem demonstrado talento no que faz e o Empoderamento Feminino é algo que está atualmente com muita força. Trazer mais meninas para o mundo da tecnologia prova que existe espaço para todos”, contam.

Outro forte exemplo nesse universo é a empreendedora Silvia Lamanna, que comanda, desde 2011, a Pluraridade, Tecnologia de Impacto. Com um extenso currículo, começou com experiências no terceiro setor aos 16 anos. “Sempre pesquisei no setor de tecnologia e participei do desenvolvimento de modelos de negócios, inclusive gestão de comunidades, baseados em tecnologia da informação”. A Pluraridade nasceu da necessidade de usar a tecnologia para desenvolver projetos que transformam”, conta.

A negócio social de Sílvia desenvolve projetos diversos, como o programa Pluralidade Feminina; diversidade, inclusão digital, desenvolvimento de comunidade de desenvolvedoras e do mercado de tecnologia para mulheres. Há planos para levar esse programa para as escolas, ONGs e empresas. Para a empreendedora, os grandes desafios do segmento esbarram em encontrar empresas com o mesmo propósito, contribuir para a transformação do Brasil e ampliar a atuação de mulheres no setor.

“As empresas estão cada vez mais abertas para contratar e apoiar mulheres na tecnologia, mas o caminho é longo e a luta é continua para igualdade e equidade no setor. O avanço é considerável, visto que a participação de mulheres nos eventos de tecnologia sobe exponencialmente a cada ano, tendência fortalecida pelo ativismo”, acredita a empreendedora.

Ainda segundo Silvia, a escola tem um papel fundamental em inserir os jovens no universo do empreendedorismo, independentemente do gênero. “As instituições precisam preparar os alunos para a própria vida e empreender faz parte das possibilidades como uma escolha profissional. As crianças possuem uma mente aberta para o mundo e para as novas experiências. Eu aposto na escola que investe no desenvolvimento do pensamento crítico e inovador do aluno, na liberdade de escolha diante das opções e na preparação do aluno para enfrentar os desafios”, afirma Silvia.

Inspirada pelas dificuldades enfrentadas pelas mulheres do mercado de trabalho, principalmente na área da tecnologia, a Microsoft desenvolve o programa Digigirlz, que faz parte do pilar Mulheres na Liderança, que reúne filhas e parentes de funcionários, de 13 a 17 anos, para um bate papo sobre tecnologia e história inspiradoras do mercado. O último evento, que aconteceu no final de junho, contou com a presença da Silvia e da Manoela e colocou as participantes com a mão na massa para aprender a programar.

Para saber mais sobre a iniciativa do pilar Mulheres na Liderança na Microsoft, acesse o site.

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