Como empresas podem estimular o crescimento econômico da população negra no Brasil?

54% da população brasileira é negra, mas quantos desses 54% você encontra dentro do ambiente corporativo?

A abolição da escravidão [legalmente] completou 130 anos em 2018, após um período de 300 anos que impactam até os dias de hoje a sociedade brasileira, contribuindo para a desigualdade social e econômica entre negros e brancos. A população negra tem índices de educação mais baixos e condições de vida mais precárias do que a população branca, e esses índices são construídos e sustentados por meio do preconceito racial, o racismo institucional e o estrutural que continuam presentes no Brasil como uma conduta que foi absorvida culturalmente por parte da sociedade.

Todos esses fatores históricos, em conjunto com o mito da democracia racial (termo usado para descrever as relações raciais), racismo estrutural e institucional, influenciam diretamente no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, os trabalhadores negros ganham cerca de R$ 1,2 mil a menos que os trabalhadores brancos e há mais trabalhadores negros sem carteira assinada que trabalhadores brancos — 21,8% e 14,7%, respectivamente. No quesito educacional, as diferenças também são substanciais: apenas 8,8% da população negra com mais de 25 anos frequentou uma faculdade, sendo que, para a população branca, esse índice é de 22,2%. Por isso, nunca foi tão importante que as empresas reconheçam a inexistência de uma democracia racial, o racismo institucional e estrutural que o Brasil possui e invistam cada vez mais em políticas de Diversidade e Inclusão.

Diversidade: um caminho para performance, inovação e lucratividade

Uma pesquisa realizada pela consultoria Mckinsey & Company confirmou que a diversidade étnica, cultural e de gênero está relacionada à performance, inovação e lucratividade. De acordo com a pesquisa, as empresas com as equipes executivas de maior diversidade étnica têm probabilidade 33% maior de superar seus pares em termos de lucratividade. Embora haja função social e de reparo histórico por trás dessas iniciativas de inclusão, as companhias começaram a entender que a diversidade é uma fonte de vantagem competitiva e, mais do que isso, uma alavanca para o desenvolvimento e crescimento das empresas.

Segundo Maitê Lourenço, fundadora e CEO do BlackRocks, organização que visa estimular o empreendedorismo tecnológico e promover o crescimento econômico à população negra brasileira, ainda existe um longo caminho a ser percorrido. “Estamos em um momento delicado e cheio de oportunidades para as empresas no Brasil. Enquanto não integrarmos a diversidade, respeitando suas singularidades e enfatizando suas diferenças para gerar potencial de inovação, teremos dificuldade no crescimento das empresas”. Para Maitê, a diversidade e a inclusão devem estar presentes em todo o ciclo da empresa, desde os fornecedores até os cargos de liderança.

Maitê Lourenço palestrando na Campus Party

Como as empresas podem apoiar startups na jornada de diversidade e inclusão?

A Microsoft também acredita que diversidade gera inovação. O BAM (Blacks at Microsoft) é uma das iniciativas de diversidade dentro da empresa que tem o objetivo de aumentar a representatividade de negros e afrodescendentes.

A fundadora e CEO do BlackRocks Maitê Lourenço complementa: “Entendemos que por meio da visibilidade e valorização das pessoas negras dentro do ecossistema de inovação e tecnologia, podemos aumentar o poder de consumo e produção deste grupo, o impacto que desejamos é a mudança do status da população negra brasileira de menos para mais”. Até agora, a BlackRocks alcançou mais de 600 pessoas, incentivando a estar em eventos, participando das mentorias promovidas pela empresa. “Além disso, ativamos eventos como a Arena BlackRocks, workshops, palestras e diversas atividades com parceiros. Atualmente, estamos apoiando cinco startups em fase de operação, fora outras ações que estão por vir”, adiciona a fundadora da empresa.

Em março deste ano, a Microsoft recebeu jovens negros da ONG Empodera para discurtir questões como representatividade, tecnologia e mercado de trabalho. Mais do que promover políticas de inclusão, é necessário romper barreiras e distâncias entre pessoas com realidades, histórias e perspectivas de vida diferentes para gerar a sensação de pertencimento dentro do espaço corporativo.

Os jovens da ONG Empodera ouviram histórias, conselhos de carreira e informações dos profissionais da Microsoft

Representatividade de dentro para fora

Lisiane Lemos, executiva de vendas da Microsoft e integrante do BAM, foi considerada uma das mulheres negras mais influentes do mundo pela Revista Forbes. Em entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes, Lisiane contou um pouco de sua história. “Fui uma das primeiras negras no mundo corporativo. O negro no mundo corporativo é praticamente invisível, principalmente nos cargos de liderança. Por isso, no último ano, resolvi mudar meu foco para trabalhar com liderança de mulheres negras. E representatividade importa, sim. Quando fui entrevistada na Microsoft, foi um executivo negro que abriu as portas da empresa para mim”, contou Lisiane durante a ocasião.

Lisiane Lemos, uma das mullheres mais influentes do mundo segundo a Revista Forbes

Representatividade. Esse é um dos maiores desafios para as empresas que têm a missão e a responsabilidade de construir um ambiente empresarial mais democrático, que valoriza as diferenças, respeita os direitos humanos e reflete a diversidade do país. “Manter a diversidade depende da inclusão, e é por isso que batemos muito na tecla da Diversidade & Inclusão. Você pode até conseguir a diversidade, mas as pessoas não ficam, pois não se sentem aptas a contribuir”, acredita a líder de Diversidade e Inclusão da Microsoft, Priscyla Laham. “Por isso, focamos em pulverizar uma cultura de comportamentos inclusivos”, complementa a executiva.

Para ela, entender o que essas pessoas sentem e como pensam, pode ajudar a construir um ambiente inclusivo.  “Toda a experiência de raça, gênero, entre outras, altera o seu pensamento, gerando aliados em torno da diversidade de pensamentoAmpliar as iniciativas de diversidade traz mais aliados, que ajudam a criar um ambiente mais justo e inclusivo”, finaliza Pryscila.

Saiba mais sobre os pilares de Diversidade & Inclusão da Microsoft.

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