Como a tecnologia tem auxiliado mães no equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Ferramentas de mobilidade e colaboração criam novo cenário e facilitam rotina das brasileiras

“É comum eu sair para trabalhar enquanto minhas filhas dormem e só voltar à noite depois que elas já estão deitadas novamente. Quando faço home office, aproveito melhor meu tempo com elas e, graças à tecnologia, consigo trabalhar de qualquer lugar sem sentir que estou perdendo nada. Todos me ouvem em uma reunião mesmo estando a quilômetros de distância”.

As palavras são de Nathalie Pfaff, gerente de ambiente de trabalho moderno da Microsoft Brasil – e mãe da Bianca (5) e da Melissa (3) – e refletem a realidade de como soluções tecnológicas têm possibilitado a criação de um novo cenário profissional e facilitado a vida de pessoas que têm uma rotina sempre muito corrida e ocupada, como é o caso de milhões de mães espalhadas pelo país.

Mas o que define esse cenário? Um estudo encomendado pela Microsoft ao IBOPE Conecta analisou a percepção do brasileiro em relação à transformação do trabalho a partir do uso de novas tecnologias. Para 68% dos entrevistados, a flexibilidade de horário é o que mais caracteriza um ambiente de trabalho moderno. Já 62% da população acredita que o que define esse conceito é a possibilidade de fazer home office ou trabalhar em outros ambientes que não necessariamente o escritório.

A pesquisa ainda mostrou que quase metade dos profissionais do país já trabalham de casa pelo menos uma vez por semana.

Gráfico com as seguintes informações: HOME OFFICE NO BRASIL 53% Não fazem 17% Uma vez por semana 12% Diariamente 9% Duas vezes por semana 8% De três a quatro vezes por semana Fonte: IBOPE Conecta

Facilitando o dia a dia

Uma das ferramentas utilizadas por Nathalie para conseguir trabalhar de casa é o Teams. Usado por mais de 500 mil empresas em todo o mundo, o Teams é uma plataforma de trabalho em equipe que une as pessoas e promove uma cultura de engajamento e inclusão.

Ele foi criado para todos os tamanhos de empresa e é usado para conversar e produzir mais com colegas, reunindo bate-papo, reuniões, chamadas, arquivos e aplicativos em um único local colaborativo e compartilhado.

Vitoria Bina, líder de digital e social da Oliver, também é uma das fãs da ferramenta. “Como o Teams é todo online, posso trabalhar mesmo não estando fisicamente no escritório. Assim, consigo otimizar meu tempo e equilibrar melhor a vida pessoal e profissional”, afirma a publicitária – que é mãe da Martina, de 10 meses.

Para ela, esse tipo de tecnologia melhora não somente o trabalho das pessoas, mas também a comunicação com a família. Natural de Porto Alegre e atualmente morando em São Paulo, a gaúcha realiza chamadas de vídeo frequentemente com seus familiares. “Minha filha adora, se diverte e interage com as pessoas do outro lado da tela. Para a família também é muito bom, pois todos podem acompanhar o crescimento e desenvolvimento dela como se estivessem perto”, garante Vitoria.

Essa vontade de conseguir equilibrar carreira e vida particular se tornou, na última década, o principal objetivo das profissionais brasileiras.

Um estudo feito pelo Linkedin mostrou que 71% das mulheres definem sucesso profissional como ter o equilíbrio perfeito entre trabalho e vida pessoal.

Além disso, um ambiente de trabalho flexível foi colocado como o fator determinante de sucesso para a próxima geração de mulheres profissionais. Quase 90% das entrevistadas têm esse fator como prioridade e o consideraram mais importante do que ter oportunidades de liderança, por exemplo.

É interessante observar também o fato de que 68% das profissionais atualmente sem filhos acreditam que não vão desacelerar suas carreiras quando forem mães, enquanto 32% acreditam que irão.

Vantagens e preocupações

Há algumas décadas, manter o mesmo ritmo de trabalho após a maternidade era visto como um desafio muito mais árduo e custoso do que hoje. Ferramentas de mobilidade revolucionaram a maneira de otimizar o tempo, dando autonomia e liberdade às pessoas para realizar atividades em qualquer lugar.

Para Marcia Tosta, gerente de segurança da informação do Grupo Boticário, essa evolução proporciona muito mais flexibilidade na rotina e cria novas oportunidades de estar próxima à família. “Com certeza a relação entre mãe e filhos mudou bastante. Hoje há uma parceria tecnológica que não tínhamos com nossas mães. Conseguimos nos comunicar, trocar informações, compartilhar novidades e estar sempre próximas aos nossos filhos apesar da distância, seja motivada por trabalho ou não”, comenta a gestora.

Mesmo com todas as vantagens desse novo cenário móvel, é preciso tomar cuidado para não deixar assuntos profissionais invadirem a privacidade. Questões como excesso de carga de trabalho e indefinição de horários corporativos e de lazer costumam ser algumas das contrapartidas dessa mudança.

Fabiola Giglio, líder de marketing digital da Microsoft Brasil, acredita que é preciso sempre buscar o meio-termo entre ambas as partes. “Apesar de prover flexibilidade e mobilidade para ser produtiva, as ferramentas atuais exigem disciplina para que o trabalho remoto não invada demais o tempo de descanso”, pondera a mãe do Felipe (7) e da Leticia (5).

Uma foto da gerente Marcia Tosta, do Grupo BoticárioMarcia Tosta, gerente de segurança da informação do Grupo Boticário

Habilidades aprimoradas

Por falar em dificuldades entre maternidade e trabalho, o receio de perder o emprego com a gravidez é uma realidade que afeta muitas mulheres no Brasil. Um levantamento divulgado pela Catho mostrou que 28% das mulheres deixam o emprego após a chegada dos filhos.

A ideia de que o protagonismo da criação é de responsabilidade da mãe acaba afastando as brasileiras do mercado de trabalho cinco vezes mais que os homens. Além disso, inseguranças relacionadas a conflito de agendas e até à autoconfiança acabam fazendo parte desse contexto.

Auana Mattar, diretora de transformação digital, big data, analytics e soluções de inteligência artificial da TIM Brasil, foi uma das que temeu ter sua vida profissional abalada com a gravidez. “Tive receio de atrapalhar o meu plano de carreira e a minha disponibilidade para o trabalho. Fiquei insegura em não me considerarem para posições futuras e, por fim, da minha performance cair depois que os filhos nascessem”, diz a executiva.

O medo da maternidade afetar o desempenho profissional é recorrente, apesar de os números mostrarem justamente o contrário. Uma pesquisa feita pela Microsoft com 2 mil funcionárias e 500 empregadores nos Estados Unidos descobriu que as mulheres melhoram o desempenho profissional após a chegada dos filhos.

Entre as principais mudanças, estão a capacidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo, a gestão mais organizada do tempo e o aumento da empatia e relações cordiais com colegas de trabalho.

“A empatia foi uma das minhas habilidades mais aprimoradas após a maternidade. Passei a ponderar mais as situações, a me colocar mais no lugar do outro e a julgar e criticar menos” Auana Mattar

Muitas mulheres também relataram que se tornaram mais criativas e produtivas após a maternidade. Para Fabiola Giglio, essas habilidades aprimoradas a ajudam muito na hora de lidar com problemas e momentos delicados e decisivos no trabalho. “Sempre fui uma pessoa prática. Mas, depois que me tornei mãe, consigo separar melhor o que realmente é importante e focar no que faz a diferença”, garante a profissional.

O papel das empresas

Oferecer qualidade de vida aos funcionários tem sido um tema cada vez mais discutido e analisado com atenção por empregadores de todos os tipos e tamanhos. Atualmente no Brasil, a licença maternidade é de, no mínimo, quatro meses ou 120 dias corridos. Já a licença paternidade dura cinco dias por lei.

Empresas têm buscado criar políticas internas para flexibilizar algumas regras e, assim, oferecer mais satisfação e bem-estar aos colaboradores, além de garantir a inclusão de todos.

Na Microsoft, por exemplo, a importância de um tempo adequado para que os novos pais consigam cuidar da criança recém-chegada e se adaptar à nova realidade em suas vidas é uma preocupação.

Por isso, a política da organização estipula uma licença maternidade que se estenda a até 180 dias (ou 120 de afastamento com 60 dias de trabalho meio período) e a 42 dias para a licença paternidade. Para a companhia, a importância da presença do pai no estímulo e contato com o filho é essencial, e procriar e prover já não se prendem mais às barreiras de gênero.

Outro ponto importante é a garantia desses benefícios aos funcionários LGBTI+, que podem optar por qualquer uma das licenças ou escolher qual licença cada um do casal utilizará. Dessa forma, podem dividir as tarefas diárias com o novo membro da família para que nenhum dos dois se sobrecarregue – regra que também é praticada para filhos adotivos.

Nesse contexto, a tecnologia também se torna uma aliada na divisão de responsabilidades. Com recursos que facilitam a mobilidade, produtividade e colaboração, é possível distribuir atividades de forma mais igualitária e, assim, conciliar horários, compromissos e obrigações.

A gerente Nathalie Pfaff aprova – e estimula – essa combinação. “Quando saio cedo para ir ao trabalho, quem prepara as meninas para a escola é o pai. A tecnologia nos ajuda a ter mais flexibilidade e maior equilíbrio e, dessa forma, ambos conseguem dividir melhor as tarefas de casa”, finaliza Nathalie.

Desenho de uma das filhas da gerente Nathalia Pfaff com a mãe ilustrada usando o Microsoft Teams no notebook
Desenho feito pela Bianca, filha da Nathalie, da mãe usando o Teams no notebook enquanto trabalha de casa 

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